domingo, 10 de julho de 2016

Nove pré candidatos a vereadores já foram assassinados na Baixada

Vítima foi identificada como Berem do Pilar, pré-candidato a vereador  em Duque de CaxiasNos últimos nove meses, dez políticos foram assassinatos na Baixada Fluminense. A sequência de crimes intriga os policiais da Delegacia de Homicídios. Para os investigadores, todos os casos podem ter motivação política. Os primeiros crimes ocorreram em novembro do ano passado. Foram assassinados o vereador Darlei Gonçalves Braga, do PTB, em Paracambi, e o pré-candidato Luciano Nascimento Batista, em Seropédica. 
Em dezembro, outros dois pré-candidatos foram mortos. Nelson Gomes de Souza, do PSC, foi morto em São João de Meriti, e o ex-vereador Marco Aurélio Lopes, DEM, foi executado em Paracambi. Em janeiro, o vereador Geraldo Gerpe foi assassinado em Magé.
Passados quatro meses, em junho, mais três políticos foram assassinados na Baixada. Em Nova Iguaçu, o pré-candidato Anderson Vieira Gomes foi morto em uma emboscada. Já Leandro da Silva Lopes foi assassinato a tiros ao sair de casa em Duque de Caixas. Também em Nova Iguaçu foi morto o PM e pré-candidato Manoel Primo Lisboa.
Em julho, a polícia já registrou outros dois assassinatos de políticos, ambos em Duque de Caxias. O primeiro crime ocorreu no dia 2. A vítima, conhecida como Berem do Pilar, foi metralhada na porta de casa. Já na noite desta quarta-feira (6) a vítima foi Denivaldo Silva, executado no estacionamento de um shoppping.
Imagens gravadas pelo circuito de vigilância do shopping mostram um homem usando uma camisa com a inscrição da Polícia Civil atirando sete vezes no para-brisa do carro de Denivaldo. Depois, o atirador vai pra janela do motorista e dispara pelo menos mais uma vez, enquanto um segundo homem, com camiseta igual da Polícia Civil, atira outras nove vezes no para-brisa.
Denivaldo morreu na hora. A mulher dele, que estava no carona, foi socorrida em estado grave. O filho do casal, que estava no banco de trás do carro, não foi atingido. Segundo a polícia, os atiradores abandonaram um carro próximo ao local do crime. Dentro do veículo havia uma touca e um distintivo falso da polícia.A Divisão de Homicídios investiga se os crimes de Caxias têm relação. Uma das evidências apontadas pelos investigadores é o grau de violência empregado em cada um dos assassinatos.
“A polícia envereda neste mundo, mundo da política, para tentar entender quais eram as conexões de cada vítima, qual o partido pertencia, se era situação, se era oposição. Tentar entender este universo muito particular da política pré-eleitoral e, a partir daí, saber de onde surge a motivação criminosa”, disse o delegado Giniton Lages.
Segundo o delegado, a participação de policiais nestes crimes não está descartada.
“Há algumas coincidências. Todos eles registram o emprego de armas de grosso calibre .40 e em pelo menos dois casos a presença do fuzil 556. Armas de uso exclusivo das forças de segurança. A gente pode perceber pelas imagens que há uma certa perícia no emprego da arma de fogo”, destacou Giniton.
MPF demonstra preocupação com eleições

Esses crimes reforçam a preocupação do Ministério Público Federal no Rio em relação à segurança nas eleições municipais. O setor de inteligência da procuradoria já identificou a atuação de milicianos junto a pré-candidatos na Baixada Fluminense e também na Zona Oeste do Rio.

“Nós temos informações da inteligência desse sentido, de que há um movimento nesse sentido, determinados candidatos que serão apoiados, receberão a simpatia, vamos dizer assim, da milícia, e certamente irão contrapor a outros candidatos, o que é inadmissível”, disse o procurador Sidney Madruga.

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