quinta-feira, 2 de junho de 2016

Professores se reúnem para decidir se acabam com greve

Estudantes não puderam entrar em escola no Largo do Machado (Foto: Fernanda Rouvenat / G1)Membros do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Rio de Janeiro (Sepe) e professores participam de uma reunião na manhã desta quinta-feira (2), onde vão decidir se a greve vai continuar ou não. Segundo Doroteia Frota, que faz parte da coordenação geral do Sepe, e reunião será para passar aos docentes o que foi discutido na  última audiência do sindicato com o governo.
De acordo com Doroteia, o secretário de Educação, Wagner Victer, disse que o governo não tem recursos. A professora informou ainda que os professores estão e recebendo o pagamento, mas com atrasos. Outra questão reivindicada pelos professores é a falta do reajuste, que não é feito desde 2015.
Na manhã desta quinta, uma aluna do Colégio Estadual Amaro Cavalcanti, no Largo do Machado, na Zona Sul do Rio, não conseguiu entrar na unidade, mesmo após a determinação judicial nesta quarta (1°) para que as aulas fossem retomadas.

“Cheguei hoje para estudar, porque vi uma reportagem ontem, minha mãe até que me mostrou, e não consegui entrar na escola hoje porque a menina chegou falando que não ia ter aula. Ela perguntou se era para recarregar o cartão. Eu disse que não e ela respondeu que não ia ter aula”, afirmou Maria Luiza de Almeida Valente, de 18 anos, aluno do 1º ano do ensino médio.

Depois de mais de dois meses de tentativas de negociação, a Justiça pôs fim ao impasse nas escolas estaduais do Rio de Janeiro e determinou o retorno imediato das aulas. A decisão é da 2ª Vara da Infância, da Juventude e do Idoso, que permitiu aos estudantes manterem os prédios ocupados em suas áreas comuns, mas mandando eles permitirem a entrada e a circulação nas escolas, deixando as salas de aulas livres.

A adolescente veio da Pavuna, na Zona Norte do Rio, e chegou na escola por volta das 7h, mas até as 9h30 ainda não tinha conseguido entrar no colégio, que continua ocupado por alunos que pedem melhorias no ensino público. A menina, que está há quase três meses sem aula, conta que esse é o seu primeiro ano em escola da rede pública. “É a primeira vez que estou estudando em uma escola pública, então, para mim não está sendo fácil lidar com essa situação”.
De acordo com o professor de história José Eduardo Mariani, nenhum professor que não está em greve foi ao colégio nesta quinta. "No caso aqui da nossa escola, 80% dos professores estão em greve. Então, mesmo que não viesse professor não-grevista aqui, hoje, só 20% iria dar aula", afirmou. Para o professor, a decisão da Justiça é confusa, já que, teria permitido a continuidade da ocupação mas áreas comuns das escolas, mas também obriga a retomada das aulas.
Durante o período de greve e ocupação, os professores grevistas fazem oficinas para as provas do Enem com os estudantes para eles não se prejudicarem no vestibular. As aulas estariam acontecendo no período da tarde e da noite, nas segundas, quartas e sextas-feiras.
Segundo a juíza, a decisão não é pela desocupação das escolas. Os alunos poderão continuar o movimento, mas, segundo a juíza, terão que se mudar para o pátio ou para as quadras das escolas, deixando as salas livres. Se houver resistência, o Ministério Público e a PM serão chamados para resolver a questão.
A Defensoria Pública disse que, juntamente com o Ministério Público, foram feitos seis acordos com a Secretaria Estadual de Educação (Seeduc) para atender as reivindicações do último acordo, assinado no dia 31de maio. Entre os pedidos estão melhorias na infraestrutura das escolas, a eleição direta para diretores das unidades e o fim do sistema de avaliação do Saerj.
"O objetivo e a ideia nossa é acompanhar esse processo gradativo de retorno as aulas. A Defensoria já se colocou à disposição pra mediação, pra contribuir também através da coordenação de mediação pra convivência pacífica desses estudantes, que em algum momento tiveram desencontro, grupo ocupa, grupo desocupa. Então, a nossa ideia é que haja uma convivência pacífica entre todos os estudantes, que seja garantido o direito deles à educação, mas também o direito ao atendimento à pauta de reivindicação, que diz respeito a educação de qualidade, condições adequadas, alimentação", explicou a defensora Eufrásia Souza das Virgens.

Nesta quarta, a juíza Gloria Heloiza Lima da Silva se reuniu com a Secretaria de Educação, alunos, professores, Defensoria Pública e Ministério Público, além de representantes da Polícia Militar. A magistrada ouviu as reivindicações e as ponderações de cada parte. Depois, com o secretário de Educação Wagner Victer, o promotor Emiliano Brunet, a defensora pública Eufrásia Maria Souza, além do representante da PM, a juíza decidiu que as aulas fossem retomadas nas escolas ocupadas. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

A Revista Queimados é o maior veículo de comunicação da cidade!!!