quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Prepare o bolso: Aumento da cota única do IPVA deste ano chega a 30% para carros do tipo flex


Quando viu, na tela do computador, o valor do IPVA que terá de pagar este ano, o professor Amaury Fernandes levou um susto. Ele não imaginava que precisaria desembolsar 27,5% a mais que em 2015 pelo imposto do seu Gol 2012 1.0 flex. E seu caso está longe de ser único. Chega a 30% o aumento da cota única para proprietários de carros que usam tanto gasolina quanto álcool — modelos que compõem 27% do total de automóveis do estado. Diante da crise financeira que enfrenta, o governo estadual decidiu elevar a alíquota do IPVA em um ponto percentual para veículos flex. Numa avaliação menos atenta, parece pouco. Mas, na realidade, o aumento de 3% para 4%, quando aplicado sobre o valor venal, representa 33% de acréscimo. Mesmo descontada a desvalorização dos carros, a quantia a ser quitada assusta — como assustou o professor.


Ontem, primeiro dia para a retirada da guia do IPVA, muitos proprietários tiveram o mesmo choque de Amaury diante do aumento. Em outubro de ano passado, o governador Luiz Fernando Pezão sancionou uma lei autorizando o reajuste da alíquota do imposto também para veículos potentes, como sedãs e picapes, de 3% para 4,5%. Já alíquota de motos acima de 250 cilindradas passou de 2% para 2,5%.

O novos valores podem ajudar na arrecadação do estado, mas desagradaram aos donos de veículos. O benefício para pagamento do tributo à vista também foi reduzido. Em 2015, já havia diminuído de 10% para 8%. Este ano, será de apenas 3%. O pagamento começa no próximo dia 19, para veículos com placa de final 0.

— O governo está querendo arranjar recursos, nitidamente. Além de aumentar a alíquota, está dando um desconto de apenas 3% para pagamento à vista, o que não é grande vantagem. Só espero que esse dinheiro vá para os professores e para a educação — disse Amaury Fernandes.

Para Gilberto Braga, professor de finanças do Instituto Brasileiro de Mercados de Capitais (Ibmec), não há como justificar o aumento com base em cálculos. A única razão, na sua opinião, é a crise do estado:
— A pessoa pensa que não vai fazer diferença, mas o aumento é relevante quando aplicado ao valor do bem. É um acréscimo de carga tributária real, duas vezes maior do que a inflação, que é de 10% ao ano. Isso pesa bastante no orçamento das famílias. Foi um aumento brutal da alíquota para gerar arrecadação, já que o estado está com dificuldade de fazer caixa.
Para o professor, mesmo com a redução do desconto para pagamento à vista, ainda pode ser vantajoso quitar o imposto em cota única.

— Para quem tem dinheiro, ainda vale a pena pagar à vista. O desconto de 3% ainda é maior do que o rendimento da caderneta de poupança em três meses — explicou Braga.

O GLOBO escolheu seis exemplos de veículos e calculou o aumento do IPVA para cada um deles. O maior acréscimo encontrado foi para o Renault Duster 2012/2013 1.6 flex. Em 2015, o proprietário pagou, com desconto de 8% em cota única, R$ 1.387,35. Este ano, o imposto saltou para R$ 1.808,08 (mais 30,32%). O menor acréscimo no valor do IPVA encontrado entre os veículos avaliados foi de 19,18%. Nesse caso, o proprietário do Toyota Corolla 2010 1.8 flex, que pagou R$ 1.407,70 em 2015, terá que desembolsar agora R$ 1.677,57.

A dona de casa Karen Carneiro das Neves, dona de um Renault Sandero 2014 1.6 Flex, discorda do professor Gilberto Braga. Para ela, não compensa mais fazer o pagamento à vista. Por seu carro, ela desembolsou R$ 1.014,32 em 2015. Este ano, terá que pagar R$ 1.317,10, uma diferença de 29,85%.

— Pagar em cota única não dá mais nenhuma vantagem ao dono do carro. Esse desconto de 3% é muito pequeno, não vai resolver a vida de quem já está sem dinheiro no banco neste início de ano. O governo está fazendo de tudo para conseguir dinheiro, apelando para tudo. Está todo mundo quebrado, mas é a velha história: quem sai perdendo é sempre a população — disse a dona de casa.



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