quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Sala de aula vira laboratório científico em Queimados

Fotos: Luiz Ambrósio
Leandro Machado - O caso do dia é intrigante. Amostras foram levadas para uma análise minuciosa, pois há suspeita que uma grande distribuidora de leite, adultera o produto com amido, ação proibida pelos órgãos reguladores. Tudo normal se esta fosse a rotina de um laboratório científico e se as análises estivessem sendo realizadas por peritos. Na verdade, o fato detalhado acima é mais uma aula de ciência com alunos do oitavo ano da Escola Municipal Professor Joaquim de Freitas, em Queimados. Foi desta forma, aguçando a curiosidade e despertando o interesse de descobrir algo novo a cada lição, que a professora Mytse Andrade (37), conseguiu atrair a aplicação dos alunos e ainda ser a única representante da Baixada Fluminense entre os finalistas do II Prêmio de Educação Científica do Rio de Janeiro. Com a conquista, se aproxima a hora é de arrumar as malas, de olho na viagem para Londres, oferecida pela patrocinadora do concurso, em janeiro de 2016.

Os nomes das finalistas foram divulgados e resultado final só será divulgado no próximo dia 24 de novembro, em uma cerimônia no Teatro do Amanhã, no Centro, mas a indicação é motivo de orgulho para a profissional, colegas de trabalho, alunos e toda população queimadense. O projeto “Investigação na sala de aula”, faz com que cada aluno seja, por alguns minutos, um perito criminal. De frente com o desafio de tornar as aulas de ciências mais atrativas, Mytse trouxe para os adolescentes uma abordagem contextualizada, com experimentos que buscam construir uma ligação entre o conteúdo ensinado e o cotidiano de cada um. “São temas que têm a ver com o dia a dia deles. Casos que tiveram grandes repercussões na imprensa ou que vivem em suas casas normalmente. A situação não é novidade, mas o que aguça a curiosidade deles é que são eles os grandes descobridores dos resultados”, afirmou.

As aulas acontecem duas vezes por semana. Na primeira, há uma abordagem conceitual. Na outra, a sala de aula vira um laboratório de análise criminal onde os alunos mostram na perícia o que aprenderam. Com os resultados em mãos, os adolescentes preenchem os relatórios (laudos) com as indagações propostas nas aulas de fixação e provas. Mesmo não tendo um laboratório de informática na unidade, os alunos curtem bastante a maneira diferente de aprender. Bianca dos Santos, 14, destaca que, após os novos métodos de ensino, ela passou a se interessar mais pela matéria: “Gosto muito. A gente aprende se divertindo e buscando descobrir algo novo sempre. Foge dos métodos tradicionais” ressaltou.

O Prêmio objetiva reconhecer, valorizar e estimular o trabalho de professores nas áreas das Ciências e Matemática, além de  disseminar as iniciativas inovadoras e despertar o interesse dos alunos nas práticas científicas. Foram premiados três profissionais do Ensino Fundamental e três do Ensino Médio.  O resultado final só sai no dia 24 de novembro, em uma cerimônia realizada no Museu do Amanhã, no Centro, mas a professora já comemora o reconhecimento de seu trabalho e, é claro, a tão sonhada viagem à Europa: “Estou muito feliz em representar à minha cidade, minha região e minha escola neste Prêmio. A viagem a Londres é a cereja do bolo. O que mais me motiva é o reconhecimento e saber que o trabalho está conseguindo bons resultados”, disse Mytse. 

Com o prêmio, os sonhos da professora queimadense não param por aí. Além de usar o projeto como tese de seu mestrado, a professora concorre também ao prêmio “Professores do Brasil”, em âmbito nacional. O resultado sai dia 26 de novembro e será entregue pelas mãos da presidente Dilma Roussef. Mytse destaca o bom momento da educação em Queimados para o profissional colocar em prática boas ideias para melhorar cada vez mais a educação na cidade: “Aqui somos valorizados. Quando conto o tratamento e a liberdade que recebemos aqui,  os professores de outras redes lamentam não terem feito o concurso para Queimados”.

A escola Professor Joaquim de Freitas obteve a nota 4.9 no último IDEB. Com quase 700 alunos, a unidade escolar é fica no Bairro Vila São João. O diretor da escola, Manoel Santos, fala com orgulho do corpo docente da unidade que é gestor: “A professora Mytse representa com este prêmio muito bem a nossa escola. Temos aqui profissionais que se dedicam todos os dias para levar uma educação de qualidade para nossas crianças e adolescentes. 

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