sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Do esqueleto ao coração: Hospital de Cardiologia de Queimados foi homologado e obras começam em 40 dias



REDAÇÃO: Após mais de 25 anos de espera, convivendo com o fantasma do “esqueleto” e a falta de uma unidade de saúde emergencial, enfim, os moradores de Queimados e de toda a Baixada Fluminense, podem comemorar a realização de um grande sonho. O Governo do Estado do Rio de Janeiro homologou e publicou no Diário Oficial da última segunda-feira (3) a licitação do Hospital de Cardiologia de Queimados. A construção que está orçada em quase 67 milhões de reais, em parceria do Estado, União e Prefeitura, e as obras já devem começar em 40 dias e o prazo de conclusão é de 450 dias, a contar do início. A unidade será referência na Baixada Fluminense.

Após a demolição da antiga obra inacabada em 2013 e as desapropriações e regularização de documentos de toda a área, realizadas pela Prefeitura de Queimados, a publicação oficial foi comemorada pelo Prefeito Max Lemos: “É um antigo sonho de todos os queimadenses, pois já não aguentavam mais sofrer com a vergonha esqueleto. Derrubamos toda estrutura condenada pelos engenheiros e recomeçar o projeto. Cuidamos de toda a burocracia, com cuidado para não cometermos os mesmos erros que os governos anteriores cometeram. Estamos felizes e orgulhosos com mais este passo para o crescimento da nossa cidade”, ressaltou.  

O prédio será erguido em seis pavimentos no Bairro Vila Pacaembu. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, a unidade vai contar com 108 leitos de internação, 39 leitos de UTI, sete salas cirúrgicas, 56 enfermarias, salas de ecocardiograma, ultrassom, tomografia, ressonância magnética, medicina nuclear e consultórios de fisioterapia. A secretária municipal de Saúde, Dra. Fátima Sanches, fala sobre a importância de um hospital especializado em problemas do coração: “No Brasil, 300 mil pessoas morrem anualmente, ou seja, um óbito a cada dois minutos é causado por esse tipo de enfermidade e teremos aqui uma unidade de última geração para nossa população”, disse.

“Uma novela”

A construção do Hospital de Queimados foi uma novela que se arrastou há mais de duas décadas. As obras começaram em 1990 e foram paralisadas sob suspeita de superfaturamento, irregularidades e descaso. Com previsão de 276 leitos, a expectativa inicial era de 600 mil atendimentos e 25 mil internações por ano para pacientes de 11 cidades da Baixada.  Desafogaria o Hospital da Posse, em Nova Iguaçu. Depois de três anos e muitos escândalos envolvendo corrupção e malversação de recursos e com apenas um esqueleto de concreto levantado, as obras foram paralisadas durante os dois mandatos seguintes.

Em junho de 2007, o presidente Lula esteve no município e assinou com as prefeituras da região o convênio responsável pela liberação de R$ 17,3 milhões para a construção do hospital, reforço e construção de novos postos de atendimento básico na Baixada Fluminense. Ao Cisbaf, cabia receber a verba e a repassar para o município.  Apesar do compromisso firmado pelo presidente, a obra demorou ainda quase um ano para ser iniciada porque havia uma pendência judicial com o proprietário do terreno que impedia o início das intervenções.

Somente em junho de 2008, depois de o Governo do Estado intervir para desembaraçar essas questões jurídicas, é que finalmente a obra foi retomada - mas por pouco tempo. No decorrer da obra, como é comum acontecer, o projeto o original precisou ser modificado, o que acabou esbarrando na burocracia do Ministério da Saúde, o que fez com que, em outubro, o Cisbaf parasse de fazer o repasse das verbas, paralisando novamente as obras.


Em dezembro de 2010, foi inaugurado pela atual gestão o Centro Especializado no Tratamento de Hipertensão e Diabetes (CETHID), que tem capacidade de atender 1,3 mil pessoas por dia e é referência em toda Baixada Fluminense. Em 2013, o “esqueleto” foi demolido. A Emop (Empresa de Obras Públicas do Estado do Rio) concluiu que seria mais econômico demolir que aproveitar a estrutura que estava em ruínas e que havia sido condenada em laudo técnico. Foi firmado ainda um convênio entre a União e o Governo do Estado para o repasse de verbas para, enfim, o início das obras.

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