segunda-feira, 9 de março de 2015

Queimados também tem seu "charme"




Texto de Leandro Machado e fotos de Ian Marlon - O amor pela “Black Music” está mudando o cotidiano de dezenas de jovens em Queimados, na Baixada Fluminense. Há cerca de quatro meses,  três amigos resolveram expandir a cultura do charme para população do município, e a cada dia tem atraído mais seguidores . Apoiado pela Secretaria Municipal de Cultura, o grupo deu início ao projeto “Queimados tem seu charme”, que atualmente reúne cerca de 80 jovens todas quartas e quintas, a partir das 20h, no espaço “Visom” (Rua Santa Paula, 154, Glória) , para as aulas lecionadas pelos idealizadores do projeto. Sem nenhum fim lucrativo, as aulas são gratuitas e não há idade para ingressar no projeto.

Vinícius Batista (29), Douglas Rafael (32) e Jamilson Silva (39), são os amigos que começaram o projeto. A ideia surgiu quando  perceberam que muitos jovens queimadenses se deslocavam ao subúrbio do Rio para aprenderem os primeiros passos da charme. Mesmo sem muito espaço na cidade, eles perceberam que poderiam ajudar a disseminar o charme entre os jovens de Queimados. Para Vinícius, que é eletricista, o objetivo é mostrar a magia da "black music" para toda a população: “Nosso desejo é incluir todos que desejam dançar. Muitos tinham que sair daqui e ir a Madureira para aprender, mas hoje temos um espaço bem legal e que a cada dia cresce mais. Quem se interessar é só chegar, pois sempre existe lugar para mais “charmeiros” dos quatro cantos da cidade”, disse.  

Aos poucos os jovens vão chegando ao espaço e, em meio ao bate-papo, o aquecimento para a aula vai começa. Ao comando dos professores, os passos são ensinados com paciência e, também entre os alunos, há um clima de cooperação. Os mais experientes ajudam aos mais novos cada passo e aos poucos todos se envolvem na mesma cadência. Quando o som começa a tocar, o que se vê são movimentos sincronizados e um ritmo contagiante. Em pouco tempo, até os mais tímidos se soltam e a aula vira um grande baile charme. Pontualmente às 22h o encontro se encerra e mesmo suados e exaustos, os alunos e professores exibem um sorriso contagiante que demonstra a sensação da dança.

As vezes sensual, outras bem descontraído, o charme tem conquistado amantes de outros ritmos bem mais populares. O exemplo vem dos professores Vinícius e Douglas que, antes de conhecer a “Música Black” eram funkeiros. “A primeira vez que fui a um baile charme me senti nos Estados Unidos. Foi amor à primeira vista e desde então o charme está presente na minha vida”, disse Douglas. Como o projeto tem dado certo, os amigos já sonham em levar o projeto para outras cidades: "Tem muita gente que precisa conhecer o nosso som. Queremos tirar mais jovens das ruas e trazer para dançar e conhecer a magia do charme", sonha Vinícius. 

Muito empolgado com o Projeto, o secretário municipal de Cultura, sempre que pode, acompanha as aulas e incentiva os jovens a participarem. Para ele, o “Queimados tem seu charme” é mais um meio de interação social na cidade: “Achei uma ideia sensacional. Envolve crianças e adolescentes e é mais um meio de tirar nossos jovens das ruas e os envolverem na cultura. Conversei com o Prefeito Max Lemos e ele prontamente mandou abraçá-los e ajudá-los”, disse. O Secretário aproveitou para anunciar o primeiro aulão de charme ao ar livre em Queimados. O encontro vai acontecer no próximo dia 20 de março, na Praça dos Eucaliptos, a partir das 19h e deve reunir cerca de duas mil pessoas.

A primeira vez no charme

Para mostrar que não existe idade para começar a dançar, Ana Carolina Pontes, de nove anos, foi pela primeira vez na aula. Desinibida e com muito molejo, a menina estava a atenta a cada dica dada pelos professores. Quando foi a vez de dançar de verdade, ela mostrou que tem muito jeito. “Adorei tudo aqui. Minha tia me trouxe pela primeira vez e gostei muito da dança e quero vir todos os dias. É um ritmo bem legal, onde posso me soltar mais”, disse.

Já Marcos Vinícius, conhecido como Vinny Max, 23 anos, morador do Bairro Belmonte, frequenta o projeto desde o início. Ele se mostra empolgado com a iniciativa e fala sobre a expectativa para o futuro: É muito bom para nossa cidade um projeto como este. É fundamental reunir a galera para dançar charme, pois evita que saiam para Zona norte, Zona oeste, que pode ser perigoso. Queimados tem muito charme para apresentar e tenho certeza que vamos mostrar que a Black Music pode mudar vidas”, enfatizou. 

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