segunda-feira, 25 de março de 2013

Missa e passeata pela paz reúnem mais de 1000 pessoas em Queimados


Felipe Carvalho-Rio. Recordar as vítimas da chacina da Baixada Fluminense e promover o pedido de paz para as pessoas. Estes foram os objetivos da missa e caminhada pela paz, organizada pela 9ª vez pelo movimento católico, que envolve as quatro Paróquias de Queimados: Nossa Senhora da Conceição, Nossa Senhora de Fátima, São Francisco de Assis e São João Batista e conta o apoio da Prefeitura. Mais de 1000 pessoas participaram do evento, que aconteceu no último final de semana e contou com a presença do Bispo da Diocese de Nova Iguaçu, D. Luciano Bergamin, Padres, Diáconos, além de autoridades públicas, como a vice-prefeita do município, Márcia Teixeira, o Secretário Estadual de Assistência Social e Deputado Zaqueu Teixeira, o Secretário Municipal de Direitos Humanos, José Ribamar e o Vereador Marcelo Lessa. Durante o evento, manifestantes mostraram faixas cobrando a criação do conselho municipal de segurança.

No Espírito da campanha da Fraternidade, que tem a Juventude como tema, a solenidade teve início com a concentração e o início da missa na nova matriz da Paróquia Nossa Senhora da Conceição, onde jovens falaram sobre a importância da igreja para a promoção da paz. Na hora do ato penitencial, momento que é marcado pelo pedido de perdão, os participantes realizaram caminhada pelas ruas do município. Uma chuva fina caiu durante o trajeto, que teve como destino final à antiga Matriz da Paróquia, localizada na Praça Nossa Senhora da Conceição. “Que esta chuva sirva para lavar todo sangue que foi derramado pela chacina. O tempo alivia, mas não tira a dor dos familiares das vítimas. Por isso, todos os anos esta data é lembrada, para que possamos pedir paz e segurança para o povo”, disse o Bispo D. Luciano.

A Vice-prefeita de Queimados Márcia Teixeira recordou as participações em outras edições da missa, quando ainda não ocupava cargo público e ressaltou a importância dos órgãos governamentais para a promoção da paz . “Quando ainda não era vice-prefeita, já participava da missa e caminhada pela paz, pois penso que é uma data que temos que sempre lembrar para prestarmos homenagens àquelas pessoas que perderam a vida e para buscarmos a construção da paz. Não vamos conseguir a paz sem segurança. São dois símbolos que se complementam. Temos que lutar muito também contra a violência a mulher. É um momento de reflexão, que o poder público tem obrigação de atender a sociedade para que ela possa viver em paz”, frisou Márcia.

Familiares das vítimas marcam presença na atividade

A chacina da Baixada entrou para história como um dos maiores crimes já acontecidos no estado do Rio de Janeiro. As execuções aconteceram em 2005, quando policiais militares percorreram de carro as ruas dos municípios de Queimados e Nova Iguaçu, disparando contra pedestres. Pelo caminho os policiais deixaram 29 mortos. Entre as vítimas estão Renato de Azevedo, que estava com 30 anos, quando foi assassinado brutalmente recebendo um tiro no rosto, na hora que fechava o portão de seu lava-jato e Raphael Silva, que morreu aos 17 anos com um tiro na nuca, quando voltava para casa de bicicleta.

Silvania Azevedo, 35, participa todos os anos da missa e da caminhada pela paz. Ela falou sobre o sentimento que guarda após 8 anos da morte do seu irmão Renato. “Não tem como descrever o sentimento que fica. A saudade faz com que a dor só aumente. O tempo nunca vai apagar ele do meu coração”, contou. A mãe de Raphael, Luciene Silva, 47, representa as vítimas do município de Nova Iguaçu. Ela faz questão de comparecer a atividade para homenagear o filho e pedir paz para as pessoas. “Participo todos os anos da missa pela paz, que serve para as pessoas não esquecerem o que aconteceu e para mostrar que juntos podemos transformar nossa realidade”, afirmou.

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