terça-feira, 11 de setembro de 2012

Polícia prende nove pessoas suspeitas de participação na chacina em Mesquita

 Nove pessoas já foram detidas desde o início da ocupação da favela da Chatuba, em Mesquita, na Baixada Fluminense, iniciada na madrugada desta terça-feira (11) pelo Batalhão de Operações Especiais (Bope) e pelo Batalhão de Choque da Polícia Militar (BPChq). A ação é realizada depois que os corpos de seis vítimas de uma comunidade foram encontrados, na manhã de segunda-feira (10). A polícia afirma que os criminosos também seriam responsáveis pelas mortes do pastor Alexandre Lima e de um aspirante a PM. Outra vítima, José Aldecir da Silva, está desaparecida.
Entre os suspeitos, três estão presos: Ricardo Sales da Silva, de 25 anos e Monica da Silva Francisco, de 20. Os dois estavam com 433 papelotes de cocaína e 41 pedras de crack. Um homem identificado apenas como Beto Gorducho também foi preso. Ele estava em uma casa com 50 gramas de cocaína e 15 mil reais em espécie. Outros cinco suspeitos também foram encaminhados para a 53º DP, em Mesquita. Um menor foi apreendido.
Cerca de 250 policiais, entre homens do Batalhão de Operações Especiais (Bope), Batalhão de Choque (BChoque), Batalhão com Cães, do Grupamento Aero Marítimo e da Coordenadoria de Inteligência vasculham a Favela da Chatuba, em Mesquita, na Baixada Fluminense, desde 1h15 desta terça-feira (11). Segundo o comando, a ação da polícia não tem prazo para acabar.
De acordo com o coronel Frederico Caldas, relações públicas da PM, até as 9h30 da manhã não havia ocorrido nenhum tipo de reação dos bandidos.
“A partir dessa ocupação definitiva vai ser instalada uma Companhia Destacada, com efetivo de 112 policiais. É uma resposta imediata aos atos bárbaros que foram cometidos no final de semana. O relato dos moradores é dramático. A convivência com esses marginais fazia parte da rotina deles. Essa ação é uma reconquista desse território e uma garantia de tranquilidade aos moradores”, afirmou Caldas.
Segundo moradores que preferiram não se identificar, a chegada da polícia aconteceu em boa hora. "Moro aqui há 55 anos e a situação estava ficando cada vez pior. Espero que agora as coisas melhorem", disse uma moradora, ressaltando que as vezes tinha receio até de chegar no portão de casa.
Moradores do Cabral comemoram a chegada da polícia no local (Foto: Janaina Carvalho/G1)
Moradores do Cabral comemoram a chegada da
polícia no local (Foto: Janaina Carvalho/G1)
Conforme informou o coronel Caldas, a morte dos seis jovens e do cadete da Polícia Militar expuseram uma realidade muito cruel que a região era submetida até agora.
“Essa operação foi planejada no dia de ontem. Mobilizamos as nossas tropas especiais, pedimos o apoio do Corpo de Fuzileiros Navais, que disponibilizou quatro blindados, que foram fundamentais para a nossa entrada. Nosso objetivo é reestabelecer a ordem e acabar com essa ação tão nefasta desses marginais aqui nessa localidade”, explicou o coronel.
Ainda de acordo com o relações públicas da PM, o setor de inteligência da Polícia acredita que os chefes do tráfico da comunidade que teriam ordenado os atos são Juninho Cagão, que seria o líder do tráfico na região, Foca e Ratinho. “Esses três certamente devem ter liderado essas execuções”, disse Caldas, afirmando que a polícia já tem a descrição desses 3 criminosos e a informação de possíveis locais onde eles possam estar escondidos.
Na manhã desta terça, a polícia faz trabalho de revista e de aproximação com a comunidade para tentar chegar ao paradeiro dos traficantes. Policiais com cães farejadores também vasculham a área de mata da Chatuba em busca dos criminosos. Ainda de acordo com Caldas, as informações obtidas através do Disque-Denúncia têm sido fundamentais para essa ocupação. Só na noite de segunda-feira (10) foram 12 ligações.
Seis jovens foram mortos
Traficantes da Chatuba são suspeitos das mortes de pelo menos oito pessoas no final de semana. Entre eles, estão seis jovens que tinham entre 16 e 19 anos, que desapareceram no sábado (8) quando foram tomar banho em uma cachoeira da região.
Os corpos de Glauber Siqueira, Victor Hugo Costa e Douglas Ribeiro, de 17 anos, Christian Vieira, de 19, e Josias Searles e Patrick Machado, de 16, foram encontrados nesta segunda-feira às margens da Via Dutra. Eles estão sendo velados pela manhã em um ginásio municipal de Nilópolis e serão enterrados às 14h, no Cemitério de Olinda.
Os seis jovens saíram de casa sábado (9), em Nilópolis, na Baixada Fluminense, para ir a uma cachoeira que fica próxima à Favela da Chatuba, em Mesquita, e também ao Campo de Gericinó.
Investigações

As investigações da polícia apontam para a participação de pelo menos 20 traficantes na chacina, segundo o delegado Júlio da Silva Filho, titular da 53ª DP (Mesquita). De acordo com o delegado, os rapazes teriam sido mortos por morarem em uma comunidade pertencente à facção criminosa rival à dos traficantes da Chatuba.
Júlio afirmou que, além do assassinato dos rapazes, os criminosos também seriam os responsáveis pela morte do pastor Alexandre Lima e de um aspirante a PM. A polícia também investiga o desaparecimento de José Aldecir da Silva, que acompanhava o pastor na comunidade.
O delegado disse que todas as mortes foram comandadas por Remilton Moura da Silva Júnior, conhecido como Juninho Cagão, chefe do tráfico de drogas na Chatuba. Ainda segundo a polícia, há a hipótese de o PM ter sido torturado na área do parque pelo grupo criminoso.
Da esquerda para a direita, a partir de cima, os jovens mortos na chacina: Patrick, Christian e Glauber; Josias, Douglas e Victor (Foto: Reprodução)Da esquerda para a direita, a partir de cima, os jovens mortos na chacina: Patrick, Christian e Glauber; Josias, Douglas e Victor (Foto: Reprodução)
O irmão mais velho de Patrick Machado, de 16 anos, um dos seis jovens assassinados no sábado, no Parque de Gericinó, afirmou que os adolescentes foram confundidos com traficantes rivais aos da Favela da Chatuba. “Pegaram os garotos pensando que eram ‘os alemão’ (sic) invadindo a Chatuba”, contou o irmão.
“A gente foi até a Chatuba desenrolar com o gerente da boca de fumo da favela. Ele disse que os meninos foram confundidos com traficantes”, contou o irmão, que não quis se identificar.
Ele disse que, na hora, não sentiu medo, e só queria saber onde estava o irmão menor. “Meu irmão estava sumido para o lado de lá, perto da favela. Então, eu fui buscar meu irmão”, contou ele, que disse ter ido à Chatuba acompanhado de parentes dos outros jovens, e que não sofreu ameaças ou represálias dos traficantes. “Eles (os traficantes) não queriam ver a polícia invadindo a Chatuba”, explicou o irmão.
Fonte: Extra.com

 

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