Rio -  Localizado na Baixada Fluminense, o município de Queimados enxerga no seu Parque Industrial a chance do tão sonhado — e agora mais real — desenvolvimento econômico. Em mais uma entrevista dada ao ‘Painel O Dia no Estado’, o prefeito Max Lopes garante que conhece cada canto da sua cidade, que, segundo ele, está preparada para ser o novo destino do segmento industrial. “Meu objetivo é levar mais 50 fábricas para a região. Essas fábricas ficarão na expansão, que será no limite da área industrial, ou em algumas áreas que ainda serão adquiridas”, explicou Max Lopes, que, nas páginas a seguir, fala também sobre saúde, educação e transporte público, entre outros.



Em artigo publicado recentemente no DIA, o senhor afirma que o interior e a Região Metropolitana são fundamentais para o crescimento econômico do estado do Rio. Queimados acompanhou esse crescimento?


Sim. Antigamente, quando falávamos em investimentos no Rio de Janeiro, era uma coisa que acontecia na capital ou nas proximidades, como Niterói e São Gonçalo. Mas nos últimos anos o Governo do Estado teve um cuidado muito especial nessa ideia de descentralização dos investimentos, o que estimulou as cidades e ajudou muito no desenvolvimento do interior. No caso específico de Queimados, a parceria com o estado deu muito certo, principalmente na lei de redução de ICMS para as empresas que estão no nosso Distrito Industrial. Muitos falam que é fácil crescer quando se tem a chance de oferecer o imposto reduzido, mas muitas têm essa chance e não sabem aproveitar. O que o estado faz é dar a oportunidade para todas trabalharem. Particularmente em Queimados, nós já tínhamos uma experiência no ramo industrial e temos uma localização privilegiada. Então, o que precisávamos fazer era divulgar isso de uma maneira correta.

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Jornal O Dia cometeu a gafe de chamar Max Lemos de Max Lopes
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Então o Parque Industrial de Queimados foi o grande responsável por esse crescimento?



Sim, foi um dos responsáveis. O Parque Industrial já existia há mais de 30 anos, mas estava completamente abandonado, com apenas sete fábricas funcionando. Hoje, para felicidade de toda a cidade temos 32 fábricas, que estão funcionando ou em fase de implantação. Vamos fechar o ano de 2012 com oito mil empregos e isso é muito bom.



Apesar do objetivo de expansão, o Distrito Industrial de Queimados está praticamente ocupado. Em 2011 o senhor disse que queria adquirir novos terrenos ao lado do atual distrito para instalar outras empresas. Isso se concretizou?

Essa é a busca que teremos nos próximos anos e meu objetivo é levar mais 50 fábricas para a região. Essas fábricas ficarão na expansão, que será no limite da área industrial, ou em algumas áreas que ainda serão adquiridas. Uma nova fábrica já esta sendo construída nesse anexo, pois adquiriu um milhão de metros quadrados e já começou a construção de um complexo refratário, um investimento de 112 milhões de euros. O que queremos é estimular e mostrar que estamos prontos para receber todos os segmentos da indústria.

Qual o impacto da chegada de todas essas empresas para a população?

São vários pontos. O primeiro é a geração de emprego, que é o ponto chave do nosso projeto de crescimento industrial. Das oito mil vagas que planejamos três mil já são realidade. São três mil chefes de família que estão empregados com carteira assinada e tudo isso é fruto desse trabalho. Em segundo, temos a geração de novos impostos, fundamentais para o crescimento de qualquer cidade, pois, apesar do desconto do incentivo, é melhor você ter 2% de várias empresas do que 19% de nenhuma. Era o que acontecia antigamente, onde vivíamos em um ambiente de degradação muito grande, com empresas fechadas e uma ‘cidade fantasma’ que não gerava nada. Em terceiro lugar, temos o aquecimento da economia comercial. Com a chegada de novas empresas, Queimados recebeu uma série de novas lojas que não existiam no passado. Hoje somos uma cidade que tem muito apelo comercial e as grandes redes de departamento e restaurantes de fast food estão chegando. Tudo isso é sinônimo de crescimento. E com isso todo o ciclo de repete: novas empresas trazem novos empregos, mais ICMS, aquecimento da economia local e ainda mais crescimento. E em quarto, mas talvez o mais importante de todos, é levantar a autoestima da cidade. Hoje a população começa a se orgulhar do que faz e se orgulha também de viver em Queimados.


O senhor afirma que cidades como Queimados dispõem de pouco mais de R$ 2 milhões anuais para investimentos - o que, segundo a prefeitura, seria suficiente para asfaltar apenas seis ruas. Como ficam as necessidades em relação à infraestrutura da cidade? A prefeitura consegue realizar obras?

A cidade tem R$ 2,8 milhões para investimentos por ano. E isso daria para asfaltar seis ruas dependendo da complexidade de cada obra, porque senão nem isso a verba cobre. Mas a prefeitura está conseguindo fazer, na medida do possível, as melhorias necessárias e já investimos mais de R$ 100 milhões em obras. Na verdade, entre as obras que estão sendo feitas e as que estão em processo de licitação serão mais de R$ 150 milhões investidos em infraestrutura.

De onde vem esta verba?

O que fizemos foi uma indústria de projetos. Chegávamos na comunidade, estudávamos a área e fazíamos projetos de saneamento, drenagem, asfalto ou o que fosse preciso. E para realizar as obras buscávamos a parceria dos governos Federal e Estadual. Com isso estamos realizando um número de obras jamais visto. No Jardim São Miguel, por exemplo, o investimento é de R$ 26,5 milhões. E se não fosse por essa parceria teríamos que juntar o dinheiro por dez anos para que isso tudo acontecesse. Só em obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) foram mais de R$ 15 milhões. Tudo deu tão certo que vamos receber mais R$ 31 milhões para o PAC2, que será revertido para o bairro Jardim da Fonte. E em alguns casos fazemos parceria também com a iniciativa privada. Mas 95% dos investimentos são feitos pelos governos Estadual e Federal.

A população reclama da falta de estrutura na saúde do município. A maternidade Bom Pastor foi fechada e alguns dizem que o atendimento nas UPA’s tem deixado a desejar. Além disso, o Hospital de Queimados será demolido após ter custado quase R$ 8 milhões. O que a prefeitura está fazendo para melhorar o quadro da saúde no município?

Eu recebi a cidade com a maternidade fechada e todos os centros de Programa da Saúde da Família (PSF) fechados, um verdadeiro caos. Mas em menos de seis meses a maternidade e todos os PSFs estavam abertos. Fizemos uma nova programação para exames gratuitos, inaugurei duas clínicas de hemodiálise e fundei e implantei o Centro Especializado no Tratamento da Hipertensão e Diabetes, que hoje é referência no Rio de Janeiro. Em relação a UPA o que aconteceu é que em 2010 tudo funcionou muito bem, com uma média de acertos de 85%. Mas em 2011 tivemos problemas com a disputa de profissionais com outras cidades. Perdemos muitos médicos, pois não tínhamos como bancar os mesmos salários que eram oferecidos em outros municípios. A Baixada sofre com isso, pois o salário pago na capital era muito maior que do interior. Tínhamos equipes inteiras formadas e, de repente, perdíamos muitos profissionais. Mas agora esse assunto está resolvido e a partir do mês de julho, através de uma parceria com o Governo do Estado, vamos pagar salários mais competitivos.

Mas e o Hospital de Queimados, que será demolido?

É importante falar que o esqueleto está lá há 24 anos. Muitos prefeitos já falaram sobre o assunto, mas ninguém fez nada. Depois de dois anos e meio de muita conversa percebemos que não adiantava fazer convênios, receber verba para reforma ou repassar o valor das obras para a prefeitura. Por isso chegamos a conclusão de que a melhor maneira de resolver seria o Governo Federal liberar quase a totalidade do recurso – cerca de R$89 milhões -, a prefeitura trabalhar na fiscalização e no acompanhamento das obras e o Governo do Estado ficar responsável pelas construção. É isso que vai acontecer agora. Colocamos as obras na mão do Estado porque ele tem mais experiência, mais conhecimento para a construção de hospitais que nós. Não queremos o dinheiro na conta, queremos o hospital pronto.

Demolir é a melhor opção?

No momento de conceber o projeto definitivo, chegamos a duas conclusões: primeiro é que boa parte da fundação e da estrutura existente estava comprometida, afinal são 24 anos de abandono. Segundo que fica muito mais barato demolir do que recuperar toda obra por vários motivos. Seriam necessárias muitas mudanças. As exigências da vigilância sanitária mudaram.

Queimados faz parte dos municípios que receberam o programa Renda Melhor, que dá até R$ 300 por mês a famílias já cadastradas no Bolsa Família. Quantas pessoas foram contempladas no projeto?

Primeiro, é bom falarmos que quando assumi a prefeitura tínhamos pouco mais de cinco mil pessoas inscritas no Programa Bolsa Família. Hoje são 13 mil. O que aconteceu é que percebemos que muitas delas não tinham acesso ao programa por conta de problemas com documentação, por exemplo. Então a prefeitura se preocupou em regularizar o que fosse necessário para que não só todos tivessem acesso ao benefício, mas também todos os seus direitos garantidos. Após esse esforço veio o Renda Melhor, que chegou para completar o rendimento de 7,5 mil pessoas. E ele é de extrema importância para nossa população, pois algumas casas ainda tinham renda menor que R$70 por mês. Viver com R$ 2 por dia não é humano, então o programa chegou na hora certa.

Outra reclamação constante dos moradores é a respeito dos buracos em ruas e calçadas e os constantes alagamentos no Centro da cidade. Existe algum projeto de pavimentação em Queimados?

Se levarmos em conta que eu recebi o município com 92% da malha viária comprometida posso dizer que avançamos muito, pois hoje 90% dela já foi recuperada. Fizemos uma grande operação tapa buraco e ainda temos 10% para recuperar, mas esse problema melhorou muito. Mas o mais alarmante eram os números de ruas sem saneamento, drenagem e asfalto. Quando cheguei eram 859 ruas nessas condições. Hoje já fizemos obras em 202, ¼ do necessário. Ainda está longe do que a cidade realmente precisa, mas já estamos no caminho. As enchentes também são um problema que será sanado nos próximos anos, pois junto com as obras de pavimentação realizamos obras de drenagem. Um importante passo será a canalização do Rio Abel, que corta a cidade. Mais de um quilômetro desse rio será canalizado em uma obra orçada em R$39,5 milhões e que deve ter início ainda este mês. Esse projeto será muito importante, pois será estruturante para a cidade.

No começo do mês a prefeitura sorteou 400 imóveis pelo Programa Minha Casa, Minha Vida. É suficiente?

No total entregamos bem mais, cerca de 1.500 apartamentos, vamos sortear mais 700 unidades e estamos construindo mais 800. E já entramos no processo de licitação de mais 2.400 residências pelo Minha Casa, Minha Vida 2. E temos muita fé que dê tudo certo, porque nosso programa habitacional funciona muito bem. Desde o cadastramento até o sorteio, construção e entrega, esse programa tem um resultado extraordinário e está ajudando a organizar a cidade e dar dignidade para muitas pessoas pobres.

Recentemente, o senhor criou polêmica ao dizer que vai extinguir o transporte de charretes até o fim de 2012. No entanto, a escassez de ônibus ainda obriga boa parte da população a pegar carona em charretes e usar transportes alternativos. O que está sendo feito para mudar?

Primeiro, preciso pontuar que muitas pessoas defendem a questão da charrete como se fosse uma questão turística e cultural do município, fazendo uma comparação com as usadas em Petrópolis e Nova York. Mas isso não tem nada a ver, pois essas são usadas por turistas, por poucas horas, com animais bem tratados, no estilo carruagem que passeiam em locais adequados. Bem diferente do que acontece em Queimados. Aqui as charretes são usadas como transporte de passageiros e nas piores condições possíveis. Alguns animais começam a trabalhar às 4 horas da manhã e vão até 10 horas da noite. Isso é inadmissível. Mas quero deixar muito claro: nenhum charreteiro ficará sem rendimento para sustentar suas famílias. Muito pelo contrário, todos eles terão uma vida muito melhor com esse trabalho feito pela prefeitura.

Mas então qual foi a solução dada pela prefeitura para solucionar a falta de transporte?

Vamos colocar 25 Kombis nessas localidades além de manter as linhas de ônibus já existentes. O usuário não irá sofrer com essa mudança, muito pelo contrário, ele irá se beneficiar e muito com tudo, pois terá um bairro mais limpo, mais organizado. Essa é a nossa proposta. Não queremos deixar ninguém sem emprego, mas sim fazer com que todos os bairros acompanhem o crescimento da cidade.

Em 2011 a Uerj esteve em Queimados iniciando o processo de implantação do campus em Queimados. Qual o peso da chegada da universidade?

A Uerj esteve em Queimados para definir todos os parâmetros necessários e foi definido que teremos 12 cursos universitários no total. Já disponibilizamos o espaço e estamos aguardando o processo licitatório para que a Universidade se instale de vez na cidade.

E o que mais foi feito pela educação do município?

Muita coisa foi feita. Recebemos a cidade com 4200 alunos fora da sala de aula e depois de três anos e meio de governo posso dizer que estamos no caminho para erradicar a evasão escolar. Para você ter uma ideia no primeiro ano do meu mandato criei 3200 vagas e ano passado foram mais mil. Além disso, várias escolas estavam em um estado de abandono absurdo, então fizemos um planejamento de recuperação da educação e, até o final do ano todas as escolas estarão reformadas e com novos laboratórios de informática. Temos ainda duas novas escolas e teremos mais duas no ano que vem que serão construídas em áreas carentes.

O senhor é candidato à reeleição. Quais seriam os maiores desafios da cidade?

Primeiro, quero agradecer a população por esse mandato, pois o carinho que eu recebo e o reconhecimento que a cidade tem hoje não tem preço. Mas tenho a convicção de que não fizemos tudo e que ainda temos muitos desafios pela frente. Quero concluir e entregar o hospital e ampliar nossa rede de postos de saúde, que são fundamentais para a prevenção e para evitar que as emergências dos hospitais fiquem lotadas. As obras de infraestrutura e pavimentação também são importantíssimas e não podem parar de maneira nenhuma. Infraestrutura urbana é uma questão de saúde. Então avançamos muito, mas temos muito que fazer. Hoje temos o apoio de 22 partidos políticos, o que talvez seja a maior aliança política da Baixada Fluminense, um apoio fundamental para que todos os projetos sejam colocados em prática. O mais importante é manter o nível de crescimento. Queimados está de portas abertas para novas empresas. Conheço cada canto dessa cidade e quero que esse crescimento continue.