sexta-feira, 8 de junho de 2012

Concurso de Nova Iguaçu: Vagas para médicos não são preenchidas


Se depender do concurso realizado no domingo (3), o atendimento nos hospitais e postos de saúde públicos de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, vai continuar devendo à população. Das 1.229 vagas de médicos oferecidas pelo município, apenas 461 pessoas se candidataram.
A grande maioria das vagas, com 1.144 ofertas, é para o trabalho de 24 horas de carga horária semanal e salário de R$ 1.630,99. Apenas 420 profissionais se interessaram. Para médico PSF, que deve cumprir 40 horas por semana, mas tem salário superior, de R$ 4.050, a procura também não foi grande: houve 41 candidatos para as 85 vagas.
O concurso público ofereceu 2.616 vagas para várias profissões e teve 91 mil inscritos, mas apenas em medicina a procura foi menor do que a oferta. Além disso, outro fato chamou a atenção: embora 20% das vagas tenham sido destinadas ao sistema de cotas, apenas um médico negro se inscreveu no concurso.
O procurador-geral do município de Nova Iguaçu, Augusto Werneck, que também preside a comissão organizadora do concurso, disse que vai insistir: "Vamos tentar melhorar a remuneração e estabelecer um diálogo com as universidades", afirmou Werneck.
O presidente do Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro, Jorge Darze, disse que são dois os principais problemas que geram esse quadro: os baixos salários e a falta de condições de trabalho. "Isso expressa a realidade dos fatos e a falta de vontade política para dar condições de atendimento à população. Não vão conseguir contratar ninguém com esse salário. Deve haver uma planilha salarial condizente com a responsabilidade que esses profissionais têm", afirmou Darze.
Frei David dos Santos, diretor executivo da Educafro, uma organização que defende ações afirmativas e combate o racismo, diz que os dados relacionados ao concurso revelam a falta de políticas públicas no país em relação aos pobres: "Queremos acelerar os programas de cotas para garantir diversidade e igualdade", afirmou.
Frei David defende ainda mudanças na legislação para garantir atendimento: "Deveriam criar uma lei que determine que todo médico que saísse de universidades públicas trabalhassem pelo menos três anos em áreas carentes. Os recém-formados só querem trabalhar em Ipanema ou Leblon, onde dá dinheiro", declarou.
Fonte: Jornal Extra

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