quarta-feira, 2 de maio de 2012

Moradora de Queimados tem perna cortada por linha de pipa

Por: Felipe Carvalho
Créditos: Felipe Carvalho/Arquivo pessoal
Casal pretendia realizar viagem para comemorar
a aposentadoria da professora
Era uma tarde de quarta-feira do mês de janeiro de 2012, quando a Moradora da Rua Roberto, localizada no Bairro Vila do Tinguá, Angela Maria Martins de Lima caminhava pela Rua Olímpia em direção a sua residência. A professora tinha acabado de se aposentar e pretendia comemorar o feito com uma viagem acompanhada do marido, Silas Ramos. Mas, os seus planos foram modificados. No trajeto, crianças e jovens estavam soltando pipa com linha chilena, cortante como uma navalha, que  também estava espalhada pelo chão. Uma motocicleta passou pelo local e a linha foi arrastada pelo veículo. Foi a partir daí que os planos de Ângela começaram a mudar. O sonho que era para ser concretizado, se tornou um pesadelo. A professora teve suas pernas cortadas e, na tentativa de retirar a linha do corpo, também cortou a ponta do dedo indicador da mão direita.

Após o acidente, amigos e familiares buscaram logo o atendimento médico. “Não era questão de opção, era necessidade. No meu desespero ao ver os cortes nas duas pernas, cortes nas mãos, sangue escorrendo pela rua, enquanto crianças vieram em minha casa chamar o meu marido, um vizinho chamado Miguel, no susto quando viu os cortes, saiu corrrendo para pegar o carro. A Tânia trouxe gases para tentar estancar o sangue. O Iran a me sustentar no colo, não podia mais andar. Me colocaram no carro do Miguel, a quem se possível quero esternar o meu agradecimento e ele me acompanhou, junto com o Silas até receber os primeiros socorros”, disse.

Ângela sofreu cortes nas duas
pernas e no dedo indicador
A vítima procurou atendimento na UPA 24 horas, mas não pode ser atendida na Unidade. Ângela estava com os tendões do pé cortados e já não conseguia se movimentar sozinha. Precisava da ajuda de seu marido, que ficou no banco de trás do carro do vizinho Miguel, que levou o casal ao Hospital Nossa Senhora de Fátima, localizado em Nova Iguaçu, onde foi atendida pelo Dr. Marcus Vinicius, Dr. Antonio Coutinho e Dr. Antonio Coutinho Júnior. Eles realizaram o atendimento inicial, mas o caso era de cirurgia e teria que ser feita por um especialista de pé, em no máximo 15 dias após o acidente,  pois senão as sequelas seriam ainda maiores. Ângela operou no INTO (O Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia Jamil Haddad), órgão do Ministério da Saúde, que é centro de referência no tratamento de doenças e traumas ortopédicos de média e alta complexidades, onde até hoje se encontra em cuidados médicos. A professora colocou gesso e só retirou o material depois de dois meses. Atualmente, Ângela utiliza uma Bota Robocop e faz fisioterapia.


A professora comentou sobre a sua indignação, após o acontecimento. “De acordo com meus princípios, sei que preciso amar pessoas que ficam pelas ruas cometendo crime como este. Significa que alguma coisa falhou e está falhando na vida delas, embora não isente da punição da lei; precisam pagar pelo que  fazem. Como professora a muitos anos, neste município, convivi com famílias desestruturadas e escolas que poderiam oferecer melhores mudanças de comportamento. Crianças precisam entender, desde cedo, o que prejudica o seu próximo. O que é bom e o que é ruim e serem corrigidas e não largadas pelas ruas, com o apoio dos pais, comprando para elas uma arma para ser colocada em suas mãos: o cerol, a linha chilena. De onde vem o dinheiro? No meu caso não foi uma criança que estava com a linha. Foi um jovem de 22 anos. Alguma coisa falhou no caminho dele. Deveria estar trabalhando ou estudando ou fazendo algo digno para ele e outros e não atrapalhar a minha vida. Se quisesse soltar pipa com linha desse tipo deveria estar num lugar onde pessoas não passem.”, disse.

Professora teve dificuldades
no atendimento médico
A professora comentou ainda sobre as atitudes que gostaria que as autoridades tomassem. “É preciso que montem projetos nas escolas com relação a um brinquedo que as crianças gostam, como a pipa, mostrando o perigo que ocasiona a elas e aos outros, através da linha com cerol e a linha chilena e que seus pais possam responder por crimes. Também é necessário que se crie leis dando autoridade a qualquer cidadão para que quando passar por qualquer pessoa, crianças, adolescentes, jovens, adultos soltando pipa, tenha o direito de verificar a linha que está usando. E por último, faço o apelo para as autoridades cuidarem de nossa gente com um atendimento na área da saúde, digno ao cidadão. Vi como foi difícil, tendo como buscar socorro. Estou sem andar a quase 4 meses. E aqui fica um pedido: Não solte mais pipa com linha cortante! é crime! ”, concluiu Ângela.

8 comentários:

  1. TAdinha!!! Conheço muito esse casal e espero que estejam bem!
    Nossa Silas! Que coisa, meu amigo!!!

    Beijos mil para vocês e tudo de bom!

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  2. Sei o que vc está passando. Quase vivi uma situação parecida. O que salvou a mim e o piloto da moto foi a antena. Tenho um filho de 10 anos que é louco para soltar pipa, porém eu não deixo por zelar pela vidadele e dos outros. Vejo as temporadas de pipa como um "vício em drogas", pois as pessoas ficam cegas: se colocam na frente de carros, se arriscam em fios de alta tensão e ainda fazem uso de materias perigosos a si mesmos e aos outros. Daí vai o meu recado para, assim como as drogas, a proibição das pipas e o início de conscientização, principalmente nas escolas para pais e alunos, dos riscos que as pipas oferecem, o que poderiam oferecer mudanças de comportamento em todos. Até mais.

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  3. Tinha q existir uma punição séria para estas pessoas. Como Bombeiro militar, atuo como enfermeira socorrista da ambulancia, já via vários casos desses, chegando ao extremo de um óbito de uma criança de 9 anos por causa da maldita linha com cerol! Até qdo esse crime vai permanecer sem puniçãO? Isso não é um acidente...é um Crime!

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  4. ESTE ACONTECIMENTO CRIMINOSO NUNCA MAIS DEVERIA ACONTECER SE NÃO FOSSE A IRRESPONSABILIDADE DE CERTOS PAIS E FILHOS. FORÇA PRIMA ANGELA!

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  5. eu não consigo entender como os pais deixam seus filhos brincar se é que isso é uma brincadeira pra mim é crime.
    força Angela
    te amamos muito

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  6. e providencias, autoridades lugar de crianças e na escolas e se tivesse trabalho para os maiores de 18 anos
    não teria esses tipos de acidentes principalmente com pipas , e agora de quem sera a responsabilidades .

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  7. a qui fala um pipeiro

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  8. Que absurdo amigos!Espero que a Angela já esteja melhor,depois de todo sufoco.Fiquem na paz.Beijo grande.

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