domingo, 8 de abril de 2012

Projeto Circo Baixada pode fechar em Queimados por falta de patrocínio

Crédito: Thiago Lontra/Jornal Extra

O Circo Social Baixada, projeto que há 10 anos ensina arte e cidadania a crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade, está prestes a terminar por falta de financiamento.A lona, erguida em 2002 na Vila Camorim, em Queimados, ajudou a transformar a região. Estima-se que em dez anos, cerca de cinco mil pessoas tenham sido beneficiadas pelo projeto, concebido pela fundação suíça "Terre des hommes", de apoio à infância e adolescência.

O programa oferecia todas as atividades de circo, além de percussão, teatro, artes plásticas, dança e cuidado com o meio ambiente a cerca de 200 crianças, mensalmente. Agora, restaram apenas o ensino das atividades de circo nas escolas chamado "Espaço que protege" e uma trupe com 15 adolescentes, que se apresentará no próximo dia 19 no teatro Raul Cortez, em Duque de Caxias com o espetáculo: "Brasil, a cara do mundo".

A coordenadora do projeto, Nilcelene Moreira, de 43 anos, afirma que o projeto de arte-educação, criado pela fundação, foi elaborado para durar dez anos. O repasse seria reduzido gradualmente e as atividades, assumidas pelo poder público, mas não foi o que aconteceu.


Superação no picadeiro


Foi no picadeiro que muitos amenizaram as dores da violência e de relações familiares frágeis. Leandro da Conceição, por exemplo, corre atrás do tempo perdido. Aos 18 anos, ele acabou de ingressar no 6º ano do Ensino Fundamental:

— O circo mudou minha vida. Poderia ser um traficante. O que vou fazer $o circo acabar? Não me imagino longe do picadeiro — lamenta ele.

Especialista em acrobacias de solo, Wanderson da Silva, de 18 anos, virou arte-educador no projeto, onde faz de tudo um pouco:

— Tinha dificuldade em conviver com as pessoas. Tinha complexo de inferioridade. No circo venci os meus piores medos e traumas.


Burocracia já dura um ano


Foi no circo que Aniele Marinho, de 24 anos, percebeu que a vida estava lhe dando uma segunda chance. O lugar era, literalmente, o trampolim que a levaria a um novo patamar.

Aniele foi morar na rua com a mãe, quando tinha apenas 5 anos. Aprendeu a pedir dinheiro e a vender balas para sobreviver.

Aos 16 anos, já era viciada em drogas e no projeto aprendeu que a vida pode oferecer muito mais:

— Pela primeira vez, me percebi fazendo parte de um todo — comenta ela, que concluiu os estudos e se tornou educadora social. Ela quer se tornar juíza da Vara da Infância.

Já Andreza Monteiro, de 17 anos, adora viver nas alturas. É com as pernas de pau que se realiza.

— Eu adoro me sentir grande —diz ela.

A coordenadora do Circo Social, Nilcelene Moreira, de 43 anos, diz que eles precisariam de R$ 16 a R$ 20 mil por mês:

— Existe o desejo da prefeitura em assumir o projeto. Mas, desde maio de 2010 que nada ultrapassa o nível do diálogo.

Em nota, a Prefeitura de Queimados informou que o processo está em andamento e precisará passar por licitação. A prefeitura não informou os valores que serão destinados ao Circo.


Fonte: Jornal Extra

3 comentários:

  1. Ué pq a prefeitura não passa a patrocinar o projeto do circo? afinal ela patrocina o Queimados F.C em troca de publicidade.. e esquece de patrocinar "algo mais social"

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  2. A PREFEITURA MUNICIPAL DE QUEIMADOS PATROCINA ESTE PROJETO DESDE SETEMBRO DE 2012. VALE FICAR REGISTRADO!!!!!!!!!!

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  3. A Prefeitura Municipal de Queimados se encontra em parceria com o Circo Baixada desde setembro de 2012. Vale ficar o registro da consciência da prefeitura quanto a grandeza e importância do trabalho!!!

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