quinta-feira, 24 de junho de 2010

Entrevista com o vereador Davi Brasil


Vereador eleito em 2008, no município de Queimados, com 1226 votos, Davi Brasil mostra ser uma pessoa de opinião própria e que sabe muito bem o que quer para o bem estar de seus eleitores. Desde criança tem uma ligação muito grande com o “poder”, e gosta de deixar isso bem claro em todos os seus depoimentos, tanto na câmara dos vereadores como em bate papo com as pessoas pelas ruas do município. Entrevistar o vereador foi uma tarefa não muito difícil, pois presto assessoria de imprensa no seu gabinete e mantenho um relacionamento de amizade “extra gabinete” com ele e com sua família. O vereador é visto por muitos como uma pessoa sincera que fala o que lhe vem a mente, e as vezes sem planejar, discursa com uma inteligência que acaba surpreendendo aos ouvintes, pois tanto o seu primeiro, quanto o segundo grau fora feitos em supletivos. Espero nesta entrevista “revelar” um pouco da personalidade marcante deste vereador que nos seu primeiro mandato, diz já pensar em largar a política e se dedicar ao marketing político, para poder eleger alguns dos seus companheiros na luta por uma cidade melhor.

Sergio Ricardo Silveira: Vereador conte um pouco, de como foi a sua infância.
Davi Brasil: Não posso dizer que tive uma infância normal, porque fugiu a normalidade de quase todas as crianças, com sete anos fui obrigado a trabalhar, vendendo cocada e bolinhos de porta em porta, chegando até aos dezesseis anos sem me alfabetizar, mas mesmo fazendo parte de uma maioria que estão na anormalidade por falta de educação, por falta de escola, por falta de saúde, papai do Céu me iluminou e me deu condições de lutar e trilhar esse caminho que eu tenho trilhado, acho que não foi escolha minha mas um direcionamento divino, eu acredito nisso.

SRS: É verdade que o senhor já foi garí?
DB: Eu fiz um caminho muito longo, antes de começar no exército brasileiro, eu trabalhava na roça, capinando o quintal dos outros, fazendo cercas pra sitiantes,era até muito requisitado pelos donos de sítios, pois eu trabalhava bem nessa área . Depois do exército fui trabalhar de porteiro na Zona Sul do Rio de janeiro, trabalhei como repositor de mercadorias das Casas Sendas, nessa época estava concluindo o meu primeiro grau, já chegando aos meus vinte anos e depois trabalhei de fundidor na Ideal Stander (fabricando vasos sanitários); fui vigilante bancário, empresas de vigilância e aí então fiz o concurso da Comlurb. Depois de um ano como gari fui transformado em guarda municipal, foi quando comecei a gostar da profissão de policial militar, fiz o concurso passei e fui ser policial militar em 1995. Vale a pena dizer que foi na polícia que comecei a desenvolver o meu senso social, vendo tanta desigualdade, tanta gente sofrida. Nas favelas ao conversar com os marginais que prendi, notei que eles não eram simplismente marginais, mas que foram conduzidos por faltar de formação, de apoio, p falta de estrutura, pela ausência do poder público. A ausência do poder público, muitas das vezes transforma o homem. O Homem que seria um homem do bem, pode virar um marginal porque o poder público não se posiciona.

SRS: Como foi pro senhor entrar pra polícia militar do Rio de Janeiro?
DB: vejo a minha entrada na polícia militar como uma coisa divina, uma vez que todos os meus estudos foram supletivos, eu não tive uma formação, eu gosto de ler, eu sou aquele tipo de pessoa que busca informações, mas eu não tinha nem a matéria específica da prova da polícia. Foi uma coisa divina, na hora uma luz divina, eu passei bem graças a Deus. Não foi fácil fiz todos os exames normalmente, com a idade já um pouco avançada pra entrar na polícia, porque se eu não passasse ali eu não teria uma nova oportunidade, eu senti a presença de Deus, passei e passei bem. E na polícia fiquei por quatorze anos, atuei como policial e na polícia iniciou essa necessidade de fazer política, tentar fazer política social, tentar levar um pouco de recursos aonde faltava recursos.
SRS: Porque o senhor decidiu entrar pra política?
DB: Acredito que o trabalho que eu fiz como policial, me jogou dentro da política, não foi uma coisa que pensei, que eu almejei eu quis ser policial, mas política, foi uma casualidade e como político posso cada vez mais buscar recursos pra estar ajudando os outros.
SRS: O senhor foi eleito na sua segunda candidatura, como foi perder a eleição em 2004?
DB: Eu acho que não perdi a eleição de 2004, uma vez que não fui candidato de verdade, essa eleição foi uma jogada política do ex prefeito Rogério do Salão, pra eu ficar do lado dele, eu não almejava ser político e sim continuar sendo policial, tanto que não queria nem ser licenciado para concorrer as eleições. Em 2004 eu nem fui as ruas pedir voto.
SRS: Quantos votos o senhor obteve em 2004?
DB: tive 887 votos sem ir às ruas pedir voto.
SRS: Como foi ganhar a eleição em 2008?
DB: Foi gratificante, depois de toda turbulência sofrida pelo meu trabalho na polícia, a gratificação se deu pelo simples fato de mostrar a esta sociedade que o meu trabalho policial foi coroado com a eleição de vereador. O povo entendeu que eu sou um bom profissional.
SRS: Quais são os seus objetivos e projetos para o seu futuro político como vereador?
DB: O meu único objetivo é não deixar me influenciar pela falsa sensação de poder. Continuar morando no lugar que moro ao lado da minha esposa, que já me acompanha a 18 anos, com os amigos que estão do meu lado, o meu futuro político não é meu, é o nosso grupo que vai direcionar o meu futuro político. O meu futuro político pertence a cada um que me elegeu e aos que trabalham comigo. O futuro de quem trabalha comigo depende do meu futuro político.
SRS: O senhor pretende a ser candidato a deputado ou a prefeito?
DB: Pretendo, se for bom para o nosso grupo, eu pretendo ir além, se for bom para todo um grupo, se isso vai trazer benefícios para o nosso grupo eu vou além, mas se o grupo entender que existe pessoas altamente capacitadas, eu sou democrático eu já tive a pretensão, de na próxima eleição de vereador nem me relançar, mas lançar três pessoas do nosso grupo e tentar eleger os três, e eu fazer o marketing, pois eu gosto de marketing político.
SRS: Nesse um ano e meio como vereador como é o seu relacionamento com os outros vereadores?
DB: Razoavelmente bom, nós os seres humanos não gostamos de ser advertidos ou de sermos chamados à atenção, na maioria das vezes queremos que as pessoas nos falem coisas boas, mesmo que não sejam verdadeiras. E a única diferença é que quando eu vejo uma coisa que está errada eu falo que está errado, que nos não podemos nos comportar daquela forma, que o eleitor não espera isso da gente, que o eleitor merece um pouco mais de respeito e isso às vezes ofende alguns dos vereadores, mas não é nada que depois a gente não converse, e que se mostre que o intuito é mostrar pro povo que nos temos que estar do lado do povo. Essa situação traz alguns constrangimentos mas passageiros, eu me relaciono muito bem com os outros vereadores, pelo menos eu imagino, eu não tenho nada contra nenhum deles, tenho o maior respeito por todos.
SRS: E como é o seu relacionamento com o atual prefeito Max Lemos?
DB: Acho uma pessoa extremamente inteligente, acho uma pessoa de uma capacidade monstruosa, de uma capacidade fora de série, mas acho que ele não está direcionando tudo o que ele tem, tudo o que ele sabe para o desenvolvimento do nosso município. E isso traz alguns transtornos, porque eu vou a público e falo. O povo não quer só promessas, o povo quer um pouco mais de ação, não adianta eu falar que farei no futuro se eu não iniciei agora no presente para que no futuro esteja pronto. Este é o meu questionamento.
SRS: O senhor faz oposição ao governo Max Lemos?
DB: Sou oposição não a pessoa do prefeito, mas as manobras políticas que ele vem fazendo em nosso município, sou admirador da inteligência dele, acho que ele tem muito a oferecer ao nosso município, e peço a Deus que ele faça pelo nosso município, antes de qualquer coisa eu sou um cidadão queimadense.
SRS: Como é o seu relacionamento com a comunidade queimadense? Como o senhor tem visto a receptividade do povo com esse seu jeito ser e com toda a sua sinceridade?
DB: Eu tinha medo, mas isso antes de me envolver na política, hoje eu vejo que o povo está cansado de ser enganado, na minha opinião o povo prefere ser chamado de burro na cara, do que de inteligente, quando na realidade não está aprendendo nada. Eu como político não preciso falar o que agrada o povo, eu preciso é mostrar ao povo que eu sou sincero. E o que o que eu faço não é pra ofender a ninguém. E assim eu estou sendo muito bem recebido em lugares que eu não tinha entrada, hoje moradores de outros bairros me chamam, me orientam me ajudam muito me dão informações. Eu hoje basicamente vivo de informações das comunidades periféricas, pois eu sou um periférico, moro na periferia em um bairro muito humilde, vivo muito bem com o povo de lá e venho lutando de forma inteligente.
SRS: Como o senhor vê hoje a disputa eleitoral no Brasil?
DB: Deveria existir eleição de seis em seis meses, pois na época de eleição os políticos são bem mais solícitos, mais amáveis, os trabalhos começam realmente acontecer, a prova disso se vê em nosso município onde você vai em Queimados você vê uma placa sinalizando uma obra. Se vai realmente acontecer nos não sabemos mas a placa está lá sinalizando uma obra. Então se nos tivéssemos eleição de seis em seis meses teríamos obras o ano todo.
SRS: O senhor acha que o poder executivo domina o legislativo?
DB: Há uma incoerência na colocação de alguns políticos que permitem ser dominados por alguns favores, hoje eu não tenho nenhuma nomeação na prefeitura, mas também não aceito ser dominado, pelo fato de não aceitar ser dominado, pelo fato de pensar como legislador, eu não tenho nenhuma nomeação, eu não posso deixar é o executivo sobrepor o legislativo. Somos poderes harmônicos no entanto independentes, isso é o que rege a constituição, mas não é o que vivemos, eles fazem todas as manobras possíveis para sobrepor um poder sobre o outro.
SRS: O que fazer para quebrar essa dependência do legislativo em relação ao executivo?
DB: Só quem pode fazer isso é o eleitor, na hora de votar, ele tem que escolher aquele que vai se posicionar, aquele que tem compromissos. Na minha posse, fiz menção da minha aliança, e declarei que o compromisso que fiz com a minha esposa eu iria cumprir. E Também o compromisso assumido com os meus eleitores eu iria cumprir. Na hora da escolha do político, é que se deve olhar bem o perfil de em quem nos estamos votando, o convívio familiar, o convívio social, o comprometimento que esse cidadão tem para com as suas palavras. Porque palavras o vento leva. Comprometimento, compromissos não, permanece.
SRS: Há quantos anos o senhor mora no bairro São Jorge?
DB: 37 anos.
SRS: O bairro São Jorge agora tem dois vereadores como isso aconteceu?
DB: De uma forma que pode não estar dentro da moralidade, mas a legalidade permite o prefeito a fazer isso, ele chamou um vereador, criou uma secretaria pra ele, e em uma semana deu posse a dois vereadores, que ficaram um três dias e outro apenas dois (ambos foram licenciados). Para dar posse a um 3º suplente, que mora no bairro São Jorge, mas que teve apenas 1/3 dos meus votos. Essa manobra pode até parecer imoral, mas ele é antidemocrática, uma vez que democraticamente o povo foi as urnas, votou e escolheu os seu representantes legais. Se essa manobra foi feita pra me afrontar, o tiro saiu pela culatra, porque consequentemente o prefeito agora se vê na obrigação de fazer obras no bairro São Jorge, pra atender embrulhada que ele mesmo criou.
SRS: O senhor acha que sai vencedor nessa queda de braço com o prefeito?
DB: Com certeza, ainda que eu perca a cadeira de vereador, ainda que no futuro ele consiga fazer o que ele propôs, que é me aniquilar politicamente, mas eu sou um vencedor, só em ver o bairro que moro crescer, eu já sou um vitorioso. Muito maior que estar vereador é estar morando em uma comunidade descente.
SRS: O que falta na sua comunidade pra ela melhorar?
DB: Falta tudo, ainda há várias valas a céu aberto, a iluminação é precária, não temos escola em nosso bairro, Falta um posto de saúde. Por ser presidente da comissão de políticas sociais, coloquei médicos dentro de um espaço meu, mas não acho legal, pois sou contra o assistencialismo, mas não poderia continuar vendo aquelas mães saindo de madrugada pra marcar uma consulta para os seus filhos, e não tomar uma atitude. A atitude que pude tomar foi colocar médicos atendendo no bairro. E não vou votos através desse trabalho de assistencialismo, e a prova disso é que até a família do outro vereador é atendida dentro do centro social. É um tipo de assistência que não quero usar como político, pois pra mim é um ato cristão, eu não quero ver aquele povo continuar sofrendo, e se eu deixar de ser político, eu sou um vitorioso nesse mandato.
SRS: Quantos médicos atendem hoje nesse centro social?
DB: Quatro médicos, um psicólogo e uma advogada. Um clinico geral, um ortopedista, um pediatra e um cardiologista.

2 comentários:

  1. veriadores perlanode deus menda uma nudisia suas eu pesiso dela hoge

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  2. Na minha opnião o melhor vereados do municipio hoje.

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