quarta-feira, 18 de novembro de 2009

A guerra ainda não acabou


A comunidade negra de todo o país se prepara em grande estilo para o feriado da consciência negra, comemorado no dia 20/11. A data traz a memória o grande mártir do movimento negro, Zumbi do Palmares e sua luta para conquistar um sonho de liberdade do povo negro. Zumbi foi um grande guerreiro que lutou contra a escravidão de seu povo. Empenhou todas as suas técnicas militares adquiridas para estruturar um exército indestrutível de quilombolas contra as investidas do governo que não aceitava uma comunidade de negros livres. Depois de várias vitórias por seu ideal Zumbi acabou sendo traído por um dos seus e seu corpo foi entregue ao governo. Nasce assim o maior ícone de liberdade negro, contrariando todas as teses que afirmam o beneplácito da princesa Isabel. O que ela fez ao assinar a lei áurea foi um ato inevitável, tendo em vista ser o Brasil o último país a decretar o fim da escravidão e isto depois de várias “formas” de liberdade (Leis do ventre livre, sexagenário, etc.).

Imagine um povo que sempre foi escravo. Seus hábitos, costumes, todo um estilo de vida de alguém que não tem direito a absolutamente nada. Este povo não se preocupa com o pagamento de dívidas, compras do mês, vida profissional e cuidado médicos. Agora imagine este mesmo povo sendo livre de uma hora pra outra sem nenhum tipo de apoio a inclusão ou nenhum outro tipo de cooperação. Foi o que aconteceu com os negros. A liberdade tão sonhada transforma-se agora em um pesado julgo. Não puderam usufruir nada que construíram por toda a vida mas tiveram que assistir todo o seu trabalho nas mãos dos senhores de engenhos e seus filhos. Este é o maior motivo da desigualdade racial do Brasil, tomando-se por base apenas os 120 anos da abolição. Atente para o grande percentual de negros muitos pobres, mendigos, moradores de morros e favelas. Quantos negros você conhece que cursam ou cursaram uma universidade, comparando a quantidade de alunos brancos. É como se uma corrida de Fórmula 1 tivesse início mas com um carro saindo 20 segundos depois dos demais, tendo enorme desvantagem. É bem verdade que hoje existem tentativas de abrandar esta desvantagem mas todas procuram uma solução em curto prazo e não resolvem o problema. O benefício das cotas contribui para o acesso de muitos jovens a universidades mas se o ensino básico não for reformulado este benefício se transforma em favor.

“O Rio é uma cidade de cidades misturadas”. A canção diz por si só. O grito de liberdade de Zumbi ainda ecoa pelos quatro cantos desta nação mas hoje a liberdade que buscamos é a liberdade para a igualdade. O negro brasileiro quer ser igual, ou melhor. Veja os papéis de negros nas novelas. Em sua maioria escravos, faxineiros. É uma questão tradição cultural que precisa acabar. A luta de Zumbi continua.
Por: FÁBIO SERAFIM DOS SANTOS

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