quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Promessa de investir R$ 3 bilhões até os Jogos


Até o fim de 2010, 30 novos trens vão começar a circular. Estações serão remodeladas

Rio - Até as Olimpíadas de 2016, a malha ferroviária do Rio deverá receber investimentos de quase R$ 3 bilhões. A informação é do secretário estadual de Transportes, Julio Lopes, que ontem mandou abrir investigação para apurar a responsabilidade pela série de incidentes nas estações da SuperVia. O projeto olímpico voltado para esse sistema, que transporta 500 mil usuários por dia, inclui a compra de 60 novas composições nos próximos 7 anos e a modernização das estações.

O que é mais urgente para o transporte ferroviário no Rio?
Novos trens
Ampliar ramais
Reformar estações
Consertar as vias
“O governo do estado vai entrar com 500 milhões de dólares (R$ 800 milhões), que serão aplicados nos 60 trens, modernos, com ar-condicionado. Esses trens serão entregues até a Olimpíada. A SuperVia investirá R$ 2 bilhões na compra de equipamentos e na remodelação das estações”, explicou Lopes.
Mas ontem, revoltado com a baderna na estação de Nilópolis, passageiro ironizou, aos berros: “Isso aqui é o trem da Olimpíada!”. “Chega uma hora em que o usuário grita”, afirmou o diretor jurídico do Sindicato dos Ferroviários, Alexandre Bruno, que hoje entrega a Agetransp, Ministérios Público Estadual e Federal e BNDES dossiê sobre os problemas na sinalização, na manutenção e na segurança do sistema ferroviário. No documento, será destacado que os trens estão circulando com com problemas nos motores de tração e freios. “Rodar, o veículo roda, mas um hora vai travar, como hoje”, concluiu o diretor.
Metade dos novos trens deve chegar até o final de 2010, segundo o diretor de operações da SuperVia, João Gouveia. Atualmente, dos 159 trens em operação, 73 são da série 400, cujos modelos são os mais antigos da frota, entre eles o que enguiçou ontem. Esses foram reformados pela última vez em 1999.
Segundo o governador Sérgio Cabral, a qualidade poderá vir com a meta de modernizar todos os trens até os Jogos: “Nosso compromisso é colocar 100% dos trens com um nível de Primeiro Mundo”. Cabral criticou o quebra-quebra: “Nada justifica o vandalismo”.
Batalhão de Choque usou bombas de gás lacrimogêneo para retirar manifestantes da linha em Nilópolis. Não houve confronto

Manhã de caos

Pane em um dos trens da SuperVia desencadeou manhã de caos e fúria que paralisou o ramal de Japeri, o mais movimentado da rede, ontem. Pelo menos 16 pessoas ficaram feridas no tumulto, duas estações foram depredadas e dois vagões foram incendiados numa terceira. Milhares de passageiros perderam o dia de trabalho ou chegaram com horas de atraso. As delegacias de Mesquita e Nilópolis abriram inquérito para investigar ato de vandalismo contra a empresa e lesão corporal. A Prefeitura de Nova Iguaçu vai processar a concessionária pelos prejuízos à população. A agência estadual que fiscaliza o sistema de transportes, Agetransp, abriu processo.

A confusão começou na estação de Nilópolis, às 7h40, quando o trem das 6h14 enguiçou a 100 metros da plataforma. Doze minutos depois, passageiros quebraram as janelas e forçaram as portas dos vagões, alegando que o maquinista abandonara o cabine. “O trem parou e ninguém deu satisfação. Meu vagão estava superlotado e quente. As pessoas começaram a entrar em desespero”, contou o laminador Alexandre de Souza, 23.
O grupo caminhou pela via férrea até a estação, onde se juntou a mais passageiros, irritados com a demora, e deu início à depredação. A multidão destruiu duas roletas e invadiu a bilheteria, onde saquearam os caixas. Um cofre, arrombado, foi atirado nos trilhos. Foram cinco horas de tumulto, que só terminou com a chegada do Batalhão de Choque. Às 11h, o coronel Robson Batalha, comandante do Policiamento da Baixada, deu ultimato aos manifestantes: se em 10 minutos não liberassem a via, o efetivo os retiraria à força.
Com o tráfego interrompido, o quebra-quebra se alastrou por outras estações do ramal de Japeri. Em Mesquita, usuários atearam fogo em uma composição. O incêndio, que atingiu parcialmente de dois vagões, foi rapidamente controlado por bombeiros. A estação ficou lotada até o meio-dia.
Em Nova Iguaçu, mais selvageria. Guichês foram estilhaçados, e tíquetes, jogados para o alto. Roletas foram arrancadas e jogadas na via. Apavoradas, bilheteiras se refugiaram em uma das lojas, também alvo dos vândalos. “Chutavam a porta, tentando arrombá-la. Nunca tínhamos enfrentado violência desse tipo”, contou a bilheteira Cátia Regina Ramos, 21. Duas funcionárias tentaram sair e foram agredidas. Uma cortou a mão esquerda.
Pelo menos 14 passageiros foram socorridos com ferimentos leves. O caso mais grave é Elievel Virgílio dos Santos, 62, levado para o Hospital da Posse, em Nova Iguaçu, com fraturas no queixo e numa das pernas. Ele se feriu ao pular do trem. Marcos Rosa Justino, 28, levou uma pedrada no rosto.
A diarista Rosângela Soares Vieira, 24, vítima de pedrada quando abandonou o trem pelos trilhos, teve de enfaixar a mão direita na Emergência do Hospital de Nilópolis. “Foi uma loucura quando todo mundo resolveu pular depois de ficar por uma hora trancado no trem. Deixei de ganhar R$ 80 da diária. A SuperVia vai pagar meu prejuízo?”, cobrou.

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