segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Em busca de tolerância

Ao som de "Faz um milagre em mim", uma música gospel, cantada em um iorubá ( língua africana usada em cultos afros), aconteceu neste domingo, em Copacabana, a caminhada contra intolerância religiosa com uma multidão cantando, dançando e festejando a vida e a libertade religiosa que é lei em nosso país. Tendo logo de início um pedido de perdão, feito pelo pastor José Roberto, da igreja Presbiteriana Unida, que pediu desculpas pelos atos de preconceito e desrespeito realizados por álguns evangélicos pelo mundo a fora.
Pessoas vieram de várias partes do estado. O exemplo disso foi o papo que bati com o pai de santo Carlos de Iemanjá e mãe Marlene de Olira, de Macaé que se mostravam felizes em viajar algumas horas até a zona sul para participarem da caminhada.Disseram ter participado da primeira caminhada e que estarão em todas que forem realizadas. Junto com pai Carlos e mãe Marlene vieram mais de duzentas pessoas em 4 ônibus lotados.Ao caminhar pelo meio da multidão encontrei duas professoras, Verônica e Dione (da cidade de Queimados) que juntas conversaram comigo. Vale dizer que uma é evangélica da igreja Quadrangular e outra umbandista, ambas são contra a intolerância religiosa praticada no Brasil e no mundo. Ambas disseram estar vivendo um momento perfeito em meio à caminhada.

Professoras Verônica e Dione, juntas pelo fim da intolerância.




Também de Queimados encontramos o grupo "As águas de Oxum" com seu líder Jorge Dahl ( coordenador da coordenadoria de promoção racial), que disse: "A caminhada é para todos, é para aprendermos a viver com as diferenças e acima de tudo , é um pedido de respeito".
Na nossa peregrinação conversei ainda com o presidente da união cigana do Brasil o senhor Mio Viacte que disse: "Esse tipo de manifetação mostra o livre arbítrio que temos para fazermos parte da religião que quizermos, e que esse ano a caminhada estava melhor do que a do ano passado".
A caminhada aconteceu ao som de vários grupos afros, mas em um dos quatro trios elétricos que estavam no evento tocaram os grupos Ileayê, Filhos de Gandy e Olodum. Consegui subir no trio elétrico principal e conversei com Gilson Luna ( um dos organizadores da caminhada), que faz parte do CEAP( centro de articulação da população marginalizada), que declarou: " O preconceito tende a diluir a partir dos movimentos sociais iguais a esse.Ainda no trio elétrico entrevistei "Gel", um dos músicos do Olodum, com 25 anos no grupo disse: "Movimentos como esse deveriam acontecer sempre com mais intensidade, para conscientizar o maior número de pessoas possível, afirmando categóricamente que somos todos iguais". Pra terminar o domingo com chave de ouro, não podíamos deixar de conversar com Ivanir dos Santos, o idealizador da caminhada, que no seu segundo ano conseguiu reunir uma multidão em Copacabana. Ivanir nos contou que o sucesso da caminhada se deve a união de vários líderes religiosos que estão acima de qualquer diferença, tanto que disse ser amigo de vários pastores que ali estavam e que participaram da caminhada que contava também com mulçumanos, ciganos, católicos, espíritas e muitos outros que se juntavam em meio à caminhada. A manifestação terminou em frente a praça do Lido com todos juntos cantando e dançando em comemoração ao sucesso do evento.

Por: Serginho New Life.

Um comentário:

  1. Que dia!!!Uma celebração pela PAZ, pois só construimos um mundo sem guerra com respeito e tolerância.`
    Orgulha-me muito ver um ilustre irmão queimadense como o jornalista Serginho New Life dando notoriedade a um evento tão importante como este.
    É isso que nos motiva,pois a luta é muito grande!!!
    Professora Veronica

    ResponderExcluir

A Revista Queimados é o maior veículo de comunicação da cidade!!!